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REinvertendo

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As recentes prisões de membros do Poder Judiciário, Legislativo e Ministério Público ocorridas em Rondônia, todos envolvidos em corrupção e ouros delitos contra a administração pública, os escândalos do "mensalão", "sanguessugas", envolvimento de políticos, juízes, promotores e advogados (que no seu ministério privado exercem "múnus" público) com crime organizado entre outros fatos igualmente lamentáveis, nos dão a exata dimensão de como se encontra doente nosso País. E não se engane, essas ações criminosas não são pontuais como podem parecer, estão na verdade umbilicalmente ligadas, formando uma verdadeira rede, muita das vezes os atores desses tristes espetáculos agem da mesma forma, e sempre com as mesmas intenções, ocorram os fatos no Norte, Sul ou Planalto Central.
 
Causa indignação e revolta o fato de se constatar que servidores públicos dos mais variados seguimentos, membros das três esferas de Poder, que tem seus vencimentos originados do dinheiro do contribuinte, ao invés de servirem a sociedade, servem-se dela, de maneira indevida e criminosa, se locupletando, enriquecendo ilicitamente às custas do povo brasileiro, e que é pior, fazem dessas atitudes repugnantes, atos naturais, corriqueiros, à ponto de termos a impressão, sem dúvida falsa, de que assim que devem funcionar as coisas,  que todas as pessoas estão contaminadas, que o certo é fazer o errado.
 
As atitude criminosas desses salteadores do erário público, traz como conseqüência efeitos danosos à sociedade, de imensa nocividade e que deixam seqüelas difíceis de serem reparadas à curto e médio prazo, inda mais quando se sabe que não é de hoje que esses quadrilheiros fantasiados de servidores públicos, empresários, profissionais liberais, etc, estão sempre ligados a alguma parte do Poder, agindo em comandita para desfalcar os cofres públicos.
 
O assalto ao erário praticado por esses agentes, é que faz com que o Estado não realize de maneira eficiente e satisfatória as suas atividades básicas de proporcionar boa saúde, boa educação, bom saneamento básico, boa previdência, etc. Ao prestar esses serviços de maneira precária, como ao longo do tempo vem fazendo, fomenta o Estado entre outros fatores negativos, o absurdamente baixo nível educacional, produção mão de obra desqualificada, política de geração de emprego sofrível, o que gera uma imensa legião de desempregados. Ainda é grande em nosso país a mortalidade de crianças, é péssimo o atendimento nos poucos e maus equipados hospitais públicos, o que leva milhares de brasileiros ao óbito ou a invalidez. Crescem de forma assustadora os índices de criminalidade. Neste país ainda existe miséria, muita miséria.
 
A inércia do Estado em razão de que a maior preocupação de importante parcela de seus agentes é a preocupação pelo locupletamento, gera essa verdadeira avalanche de situações ruins, que empurram ladeira abaixo o país, impedindo não somente um melhor desenvolvimento econômico, financeiro,  mas travando o desenvolvimento social, ético e moral.
 
As prisões realizadas, as investigações que se tornam de conhecimento público, geram de imediato três sentimentos: o primeiro de esperança: "que bom que agora estamos submetendo criminosos poderosos (os chamados colarinho branco) à sanção, enfim a justiça os está alcançando; logo depois, vem o lamento: revolta saber que essas pessoas pagas com o dinheiro do contribuinte, que já sofre verdadeira extorsão com a excessiva carga tributária que lhe é imposta, com a desigualdade social, com a falta de oportunidades, ainda se acham no direito de lesar a população na maior "cara de pau". O terceiro sentimento é o da dúvida: Será que esses bandidos realmente pagarão pelos seus males, serão ou permanecerão presos? ressarcirão o erário do dinheiro surrupiado? Afinal, não podemos esquecer que muitos desses salteadores fazem as leis, as fiscalizam e as aplicam. Esse terceiro sentimento é de uma crueldade sem tamanho, traz angústia.
 
Mas o que fazer para melhorar essa situação? Nosso povo é pacífico, não tem caráter beligerante, não há, portanto, espaço para um levante armado, para uma revolução civil(se bem que o PCC... não, aquilo não é revolução civil, àquelas pessoas não tem legitimidade para tanto, vez que tem outros objetivos, diversos aos que normalmente norteiam uma revolta armada de uma sociedade cansada de sofrer abusos de toda sorte).
 
Resta então o voto, poderosa arma que se bem utilizada é de imensa importância no combate contra os males que nos assolam. É preciso, na hora de escolher quem irá nos representar, assumir uma postura de mudança, de renovação. É preciso experimentar, tentar o novo, primar pela qualidade. Não podemos esquecer que os que lá estão, com algumas exceções, promoveram o triste espetáculo que hoje assistimos.
 
A sociedade deve exigir uma grande reforma nos mais diversos campos, reforma política, tributária, administrativa, do judiciário, mas principalmente precisamos de uma reforma ética, moral, de consciência. Ouve-se dizer que vivemos uma "inversão de valores", o mal predominando sobre o bem. Vamos então reinverter isso tudo, valorizar o bem, as boas atitudes, festejar o justo, o honesto. Talvez seja esta uma eficaz receita para tirarmos nosso país dessa grave situação em que hoje se encontra.
 
Cláudio Roberto Araújo Santos.  

Resposta ao debate: