Amazônia no Mundo Real
Quem não lembra quando o Ministro Gilmar Mendes no julgamento da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, falou que; ‘’Os índios do Brasil estavam entregues à própria sorte’’. O que não deixa de ser verdade. Imagine que no espaço onde ocupam os Suruí, que fica em aproximadamente 250 mil HC, entre o Sudeste de Rondônia e Noroeste do Mato Groso, existem dificuldades para que se denunciem os terríveis ilícitos que estão acontecendo tendo inclusive este povo procurado o Google para proteger suas terras e a floresta da invasão de madeireiros.
No Amazonas este problema de invasão e desmatamento não é diferente com relação aos outros estados da região amazônica, aqui a situação se torna um pouco complicada devido ao isolamento em que se encontram a população e, pela selva praticamente fechada (comprove no satélite) e uma imensidão territorial.
Temos uma área total de 1.577.820km2, em comparação a São Paulo na Região Sudeste do Brasil, por exemplo, que tem 248.808km2. O Amazonas tem uma área total em km2, 6 vezes mais que o Estado de São Paulo, que tem uma população de 31.588.925 habitantes (dados 1991), enquanto o Estado do Amazonas conta apenas com uma população de 2.103.243 (dados do IBGE de 1991) pessoas neste imenso território.
O pior é que a população que habita nesta imensidão territorial, diante dos desmandos existentes e em função do isolamento nos quais se encontram, jogadas a própria sorte em situação de miséria,que os coloca realmente na situação em que o Instituo Internacional de Estudos Estratégicos da Inglaterra-IISS, afirmou, em seu estudo indicando que “ A pior ameaça na Amazônia é a miséria”. E que, “ A pobreza é generalizada , significa que o envolvimento de grupos estrangeiros ilegais pode ser uma maneira atrativa de ganhar a vida”, avaliam os estrategistas do IISS que citam indígenas de uma tribo do Estado do Amazonas, que aceitaram atuar como “mulas”, para grupos de narcotraficantes.
O instituto avalia ainda que a Estratégia da Defesa Nacional, reconhece a relação entre a segurança e o desenvolvimento sustentável da Amazônia. Afirmando que; ‘’Os brasileiros estão tomando apenas passos tímidos na direção de lidar com a exclusão social e miséria que permitem que grupos armados estrangeiros se proliferem pela Amazônia, afirmou o IISS.
O cacique Almir Suruí disse em entrevista concedida ao portal UOL NOTICIAS, que, “Os órgãos que são responsáveis pela proteção desses povos estão deixando de fazer o seu papel”.
Dados do próprio IBGE (REGIC 2008), no documento anexo ao Decreto 7.378 de 1 de dezembro de 2010, intitulado, Estratégias de Transição para a Sustentabilidade, em que o principal instituto de pesquisa oficial brasileiro revela; “Ao contrário do que ocorre na pecuária, não há formação de cadeia produtivas, fato que revela o caráter recente da exploração e, provavelmente, o contrabando. Como é o caso da madeira extraída no Vale do Javari, que é enviada para Iquitos no Peru, e daí transportada pelo Rio Amazonas, sendo exportada por Belém ou Macapá como madeira peruana”.
Não estou subestimando a tecnologia a qual obriga o homem a criar as chamadas “ferramentas”, a fim de salvar o planeta, o que muitos não entendem, são as parcerias que até podem ser desenvolvidas para que possam ser bem aproveitadas e, não aquelas com os quais só enxergam para o seu próprio benefício.
Em minha opinião, a Amazônia é um buraco negro coberto pelo verde da imensa floresta, por esse motivo, os ilícitos acontecem sem que o poder central do Brasil tome conhecimento sobre tudo o que realmente acontece aqui.
Acho que não precisa se dizer mais, porque os índios estão entregues à própria sorte, e porque existem tantos paradigma e utopia com relação a Amazônia. Tem mais, quem escreve sobre a Amazônia contestando alguém, deve mostrar a cara.
