Eu votei e você?
O meu dia começou ainda cedo, sonâmbulo pela noite anterior, cujo motivo para esse despertar inusitado foi à eleição de segundo turno para decidir o novo prefeito do Rio de Janeiro.
Se há um aspecto evidente a ser ressaltado em vésperas de eleições, este seria discutir numa mesa de bar o próprio tema. De preferência levemente embriagado, exaltando a conversa e gesticulando para todos, a fim de demonstrar que o assunto é sério. Numa disputa ideológica sem tamanho – ao meu grupo só faltou mesmo alguém para discordar de tudo que falávamos. Era Fernando pra cá, Gabeira pra lá. E não faltaram análises positivas ao mesmo, unanimidade nos conceitos “Sulistas” da cidade.
Mudando de assunto; quero compartilhar agora a dor de cabeça que sinto. Ela começou ainda de manhã, mas quando acordei ainda não me incomodava tanto. Não sei o porquê, deve ter sido ao chegar à praia logo após votar e, na primeira cena, visualizo uma criança correndo a caminho do mar segurando, empunhando uma bandeirinha com o número 15, em cima escrito Eduardo Paes. Ou pior ainda, por volta das seis horas da tarde, ligo o televisor e descubro a vitória do próprio Paes.
Voltando para a manhã de Domingo, acordei cedo para descer com o cachorro, em seguida almocei ao meio dia, fui até minha determinada Zona Eleitoral. No caminho, encontro com dois vizinhos de edifício conversando sobre “existirem no prédio, morando algo em torno de 20 médicos”, um deles comenta, “poderíamos montar um hospital”. Muito engraçado, porém ambos não contaram o infeliz fato de que faltam profissionais de saúde nos hospitais públicos da cidade. O curioso é que o dinheiro repassado pelo Governo Federal desaparece como mágica dos cofres públicos.
Houve um acontecimento decisivo para o resultado dessas eleições - Saibam como manipular um resultado indiretamente: Através da parceria entre o presidente Lula e o governador Sérgio Cabral, foi alterado o dia de Feriado do Funcionalismo Público Federal e Estadual. Dessa maneira uma parcela da sociedade iria desfrutar da segunda feira, pós-eleições, acrescentando no final de semana um feriadão para viajar e deixar de votar. Plano constatado após o resultado, quando 22% da população se abstiveram ao voto, esses perderam qualquer direito de justificativa.
Já está tarde, apesar de ainda ser domingo. Resolvo ler o resto do jornal do dia, onde uma matéria me chama mais atenção, pois nela descreve alguns políticos reeleitos para vereadores da câmara do Estado do Rio. Fora aqueles chefes de milícias que podem ou não perder seus mandatos; um nicho se utilizara da construção de centros comunitários para influenciar os eleitores. Segundo o jornal “O Globo”, esses Centros estão recebendo orçamentos do Estado para financiar essa prática! Ai minha enxaqueca...
Independentemente do prefeito que for eleito, quero falar da continuação desse ciclo vicioso. A máquina do Estado tipicamente carioca estimula um sistema voltado para a falsidade; enganando uma parcela desprivilegiada de educação qualificada. Os resultados não enganam, pois uma diferença de dois porcentos é uma marca histórica para a cidade do Rio de Janeiro. Acreditar numa possível mudança pode parecer utópico demais para a metade da população, sem falar nos anos de chumbo que teremos pela frente. Faltam créditos aos políticos, esses caracterizados pelo trabalho sujo, porco e inútil!
Um Termômetro Político