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AMÉRICA QUEIMADA

Eu gosto dos americanos. Eles sempre me fazem rir.

Há alguns anos eles elegeram o Bush troca-letras. George W. Bush pode não ter sido o melhor presidente dos EUA, mas certamente foi o mais cômico ocupante da Casa Branca.

Após o 11 de setembro, os americanos apoiaram fervorosamente a Doutrina do Bush; aquela que pode ser resumida mais ou menos assim: eu atiro primeiro, eu atiro depois e depois eu atiro mais um pouco. Por razões que são bem conhecidas, os resultados militares desta nova doutrina têm sido questionáveis para uns e deploráveis para outros.

Apesar de terem se esforçado bastante para construir alguma ordem internacional após a II Guerra Mundial, os americanos esvaziaram e/ou praticamente destruíram os organismos multilaterais com base na famigerada Doutrina Bush (quem não está conosco está contra nós, disse o troca-letras). O enfraquecimento do multilateralismo internacional provocado pelo unilateralismo dos EUA só conseguiu conspirar contra a hegemonia daquele país.

Os americanos sabem que a economia real é um fenômeno que não se comporta exatamente como suas descrições e que as equações que os economistas criam para melhorar seu desempenho podem produzir efeitos indesejados. Mesmo assim eles insistiram em produzir e alimentar uma bolha imobiliária cuja explosão tem potencial para provocar uma depressão global.

Agora que a crise financeira começou e que o império está em queda livre num poço sem fundo alguns americanos já começaram a insinuar que os diversos povos deveriam trabalhar juntos para superar a crise financeira. O abandono do unilateralismo exatamente neste momento é, no mínimo, uma prova irrefutável de má fé. Afinal, foram os americanos que provocaram sozinhos a crise que tem arruinado muitas pessoas em diversos países.

Minha vida é simples. Não tenho e não quero ter qualquer poder de decisão. Por isto mesmo posso dizer exatamente o que penso. Posso e digo: se dependesse de mim os EUA somente ganhariam bananas.

Os leitores gostam de História Antiga? Mesmo que não gostem vou lhes contar uma.

O historiador Caio Suetônio Tranqüilo narrou a vida de Nero. Segundo Suetônio, Nero não "...perdoou nem ao povo nem às muralhas da sua pátria. Como alguém, numa conversação familiar dissesse: Eu morto, a terra se abrase! - ele respondeu: Não! Mas eu vivendo!"

Deixei de beber a 12 anos. Mesmo assim já comprei uma boa garrafa de vinho. Em homenagem a Suetônio pretendo abri-la logo depois que o império americano tiver queimado.

De qualquer modo, quebrados os americanos ficarão impedidos de começar novas guerras e de continuar as duas que começaram na era Bush. O mundo ficará muito mais pacífico quando os EUA mergulharem no Terceiro Mundo.

Resumo: 

Proponho um brinde à chegada d

18 set 2008