debate

Por que tanto medo do doping?

Os Jogos Olímpicos de Pequim são os que possuem maior controle antidoping da história, pois a China, preocupada com as crises do Tibete e a viagem caótica da tocha olímpica, deseja evitar maiores escândalos.
Devido ao aumento dos casos registrados nas três últimas edições (dois positivos em Atlanta, 11 em Sydney e 27 em Atenas), em Pequim, serão realizados 4.500 exames, o dobro do número realizado em Atenas. O objetivo da ação é caçar, de forma mais eficaz, as práticas de ações consideradas antiesportivas realizadas pelos atletas.
Na Grécia, em 2004, ocorreu a primeira Olimpíada realizada sob as leis do Código Mundial Antidoping. O Comitê Olímpico Internacional (COI) chegou até a criar a campanha “Tolerância Zero”, mas não foi positiva, pois apresentou mais do que o dobro de casos da Olimpíada de Sydney em 2000, que, inclusive, tem casos de doping sendo julgados na Justiça até hoje.
Os exames previstos em Pequim serão mais eficientes, segundo André Santos, diretor da Agilent no Brasil, empresa norte-americana que fornece equipamentos de última geração para as análises de urina e sangue dos atletas. “Os equipamentos têm sensibilidade suficiente para detectar quantidades muito inferiores àquelas consideradas limítrofes. É praticamente nula a possibilidade de um atleta, que tenha ingerido alguma substância controlada, não ser pego no teste antidoping”, explicou Santos.
A Olimpíada de Pequim já registra casos de doping, como o brasileiro Jaqson Kojoroski, da seleção brasileira de handebol. Em janeiro desse ano, a norte-americana Marion Jones, maior atleta do atletismo da atualidade, despediu-se das pistas, confessando o uso de doping antes da Olimpíada de Sydney, que a fez perder cinco medalhas (três de ouros e duas de bronzes).
Normalmente, os atletas fazem uso de substâncias proibidas para ter mais ânimo, disposição e até mesmo para aumentar a massa muscular. Porém, existem certos medicamentos indispensáveis à saúde do atleta que também são proibidas como remédios para dor de cabeça, pomadas e até mesmo antiasmáticos que, como efeito colateral, podem ser anabolizantes.
O Jornal de Debates quer saber: por que tanto medo do doping?