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Qual o futuro dos quadrinhos no Brasil?

Acontece hoje, dia 23 de julho, a entrega do Troféu HQMix, a maior e mais tradicional premiação das histórias em quadrinhos brasileiras. Realizada pela Associação de Cartunistas do Brasil em parceria com o Instituto Memorial das Artes Gráficas (IMAG), a cerimônia de entrega dos 60 prêmios contará ainda com a participação do apresentador Serginho Groisman e das bandas Jumbo Elektro e Cérebro Eletrônico.

Consideradas por muitos uma importante ferramenta na construção do hábito da leitura, ainda na infância, e alvos de longas discussões sobre seu possível papel artístico, as HQs – como são popularmente chamadas – movimentam, nos EUA, um mercado bilionário que envolve não só revistas e livros mas também brinquedos, videogames e superproduções de cinema. No Brasil, no entanto, poucas editoras se dedicam aos quadrinhos, e menos ainda à publicação de HQs produzidas em solo nacional, fazendo esse mercado hoje tão pequeno ser dominado pelos personagens estrangeiros, mais baratos e já eternizados pela cultura popular.

"O pagamento que se pratica é aviltante, e os calotes também. Um editor cancela uma publicação e com a maior cara de pau não te paga a produção de um mês inteiro", diz o desenhista Sebastião Seabra, sobre as dificuldades de se publicar quadrinhos no Brasil. Como ele, muitos profissionais do segmento recorrem a outras profissões, como a publicidade ou o jornalismo. Outros recorrem ao mercado estrangeiro, na esperança de desenhar para os títulos das gigantes DC e Marvel, as duas maiores editoras de quadrinhos dos EUA. "Mesmo lá nos EUA se paga mal um quadrinhista (pelo custo de vida deles)... Exceto os grandes artistas, com grandes estúdios, a grande maioria ganha mal", afirma Seabra. O custo de vida menor e os preços praticados (em dólar) parecem atrair os brasileiros, e o acordo é benéfico para ambas as partes, já que as editoras norte-americanas pagam muito menos a um desenhista brasileiro que a seus conterrâneos.

Àqueles que ainda insistem no sonho de publicar em terras tupiniquins, resta o caminho da independência. "Desisti por completo de contatar editoras, seja de onde for", diz o quadrinhista Emir Ribeiro, criador da heroína Velta, muito popular entre os leitores de fanzines (revistas independentes publicadas por fãs). "Não tenho mais aspiração e ilusão alguma com quadrinhos. Está claro que o Brasil jamais sairá desse sub-estágio, enquanto não houver mudança. E não creio mais em mudança alguma. Portanto, parto para a praticidade total", finaliza. Das 46 categorias do HQMix, 4 são destinadas aos gibis independentes.

A internet é outra ferramenta muito utilizada pelos quadrinhistas empreendedores. Além de facilitar o contato entre profissionais e aspirantes de todo o Brasil (e mundo), a rede mundial oferece uma gama de novas formas de divulgação e experimentação da linguagem das HQs. Para José Alberto Lovetro, o JAL, co-fundador da ACB e do Troféu, "a internet é o fator novo no século 21. Tem que ser valorizada e vista de forma mais atenta, pois está lançando muita gente boa que não teria como imprimir revista própria".

Em homenagem à 20ª edição do Troféu HQMix e tendo em vista os problemas e oportunidades de um meio de comunicação popular tão cheio de altos e baixos, o Jornal de Debates quer saber: Qual o futuro dos quadrinhos no Brasil?

23 jul 2008

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