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Qual o futuro do Jornalismo?

Por falta de espaço na pauta, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu pelo adiamento do julgamento sobre a revogação ou não da Lei de Imprensa. A assessoria informou que prevê que o assunto entre em pauta em 29/04, no entanto, não é certo que haja espaço para a discussão. Já foi informado, também, que a obrigatoriedade do diploma não deve ser apreciada no mesmo dia que a Lei de Imprensa e, ainda, não existe previsão de data.

O presidente da Federação Nacional dos Jornalistas Sérgio Murillo de Andrade considera a decisão "natural". Em sua opinião, os ministros do STF devem estar encontrando dificuldade para definir uma posição. “O grande problema é que isso não deveria ser assunto do Supremo”, declara Sérgio, que torce pela obrigatoriedade do diploma, que com a adiamento da sessão sobre o futuro da Lei de Imprensa prevista para ter ocorrido em 01/04, acabou não sendo discutida.

A audiência foi iniciada com a discussão sobre a Lei de Imprensa. Após a abertura dos trabalhos feita pelo relator do processo, o ministro Carlos Ayres Brito, pronunciaram-se o deputado federal Miro Teixeira, a ONG Artigo 19 e a Associação Brasileira de Imprensa (ABI). Todos defenderam a revogação total dos artigos ainda vigentes da Lei de Imprensa, com exceção de Brito e do ministro Eros Grau.

Em defesa de seu ponto de vista, Brito afirma que a Constituição, “que é livre e plena, é ponto de chegada e partida para a liberdade de imprensa. Sendo assim, nenhuma medida legislativa poderia interferir. Por isso, não é possível que se elabore uma lei específica para a imprensa.”

Ao encerrar os trabalhos do dia, o presidente do Supremo Gilmar Mendes, que é o relator da lei contra a obrigatoriedade do diploma, deu a entender que não deve acompanhar o voto dos colegas na discussão sobre a Lei de Imprensa. De acordo com ele, a Constituição "clama por normas e organização".

A questão do diploma é bastante polêmica e por isso, as opiniões dos próprios jornalistas são bastante antagônicas. Muitos são os profissionais que defendem a obrigatoriedade e muitos são aqueles que, desde novembro de 2006, através de liminar assinada pelo próprio Gilmar Mendes, atuam na área sem a licença do Ministério do Trabalho (MTB) e torcem para que a situação se mantenha como está.

O jornalista Engel Pashoal, por exemplo defende a não-obrigatoriedade do diploma e afirma que "jornalista precisa de diploma da vida, não diploma jornalista. Assim como o citado jornalista, a própria Folha de S. Paulo declarou em editorial que o STF deveria acabar com a obrigatoriedade, que é uma "afronta a liberdade de expressão, diminui a oferta de informação de qualidade e se reveste de anacronismo na era da internet, quando todos têm a oportunidade de apurar e publicar notícias", defendeu o jornal.

Em oposição disso, o jornalista Marcelo Canellas, afirma em carta ao Sindicato dos Jornalistas do Rio do Grande do Sul que “a exigência do diploma para o exercício da profissão de jornalista não restringe o talento. Ao contrário, pode potencializá-lo dando-lhe estofo ético, e conferindo ao profissional da notícia o papel que lhe cabe: o de guardião de um bem público que pertence a toda a sociedade".

Diante de tantas incertezas, profissionais questionam o futuro do jornalismo. O jornalista Pedro Costa, diretor da The Information Company nos EUA publicou no site InvestNews, um artigo sobre a sustentabilidade financeira da Wikipedia, citando que "a Wikipedia, reunindo conhecimento de forma prática e ágil, está tomando o lugar dos jornais e todo mundo gera conteúdo e compete com você”.

Costa questiona: Se todo mundo está convidado a ser jornalista, as pessoas ainda vão precisar de alguém que escolha suas notícias? Será que existirão repórteres daqui a cinco, seis anos? O jornalismo é uma atividade muito bonita para ficar apenas nas mãos dos jornalistas", provoca Costa. Toda essa reflexão só existe porque a obrigatoriedade do diploma está extinta.
Autor do blog de sugestivo nome O Jornalismo Morreu!", o professor do curso de Comunicação do Centro Universitário Una Jorge Rocha convidou jornalistas para analisar este panorama. Ao final, uma pergunta permanece sem resposta: "então, a partir daqui, para onde é que nós vamos?"

É exatamente isso o que o Jornal de Debates quer saber de você. No meio de tantas mudanças e incertezas, qual é o futuro do jornalismo?