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A falsa sensação de poder

É fundamental que, para a manutenção de uma sociedade em pleno gozo de todas as liberdades e direitos que desejamos exista, cada um faça e bem o seu papel. Desta forma, deve estar claro que investigação criminal é papel de polícia especializada, com toda a tecnologia necessária a um trabalho que esperamos sempre bem feito. O papel da mídia é o da informação, da maneira mais clara e precisa possível, respeitando o sigilo da investigação quando solicitado. Temos visto em diversas ocasiões a mídia investigativa, iniciativa bem vinda e importante para a fiscalização dos poderes constituídos. Agora estamos falando de crime hediondo, provavelmente um ato desequilibrado e pior, muito pior, desequilíbrio de uma família inteira, avô, pai, madastra, etc.
Natural que a comoção tome conta de todos, e neste momento a mídia exerce o seu papel mais deplorável. De maneira ordenada e fria, levanta o tom, aumenta a indignação, direciona a emoção do público contra e a favor, assim alcança seu objetivo maior. Mais tempo no ar, com um público acima do normal o minuto vale mais nos noticiários de TV e rádio, mais jornais e revista vendidas nas bancas.
Assim, para mim fica claro que a imprensa tem uma influencia muito maior no dia a dia das pessoas, no controle de suas emoções, não importando qual a repercussão no interior dos lares onde convivem adultos e principalmente crianças. Uma notícia dada com profissionalismo informa e mantém todos atentos aos acontecimentos que possa, de certa maneira os afetar diretamente (posso ser a próxima vítima).
Mas, com o sensacionalismo que estamos presenciando diariamente em todos os níveis dos noticiários, acontece a descarada exploração da emoção, da incerteza e do medo.
Desta forma, o poder da mídia pode ser maior, muito maior que influenciar em uma investigação policial, mas sim na direção comportamental de uma sociedade como um todo.
Esta é a principal reflexão atual que entendo devamos ter sobre o papel da mídia no século 21.

03 maio 2008