A MÍDIA NACIONAL E A MENINA ISABELLA NARDONI
É fato incontestável que como qualquer outro animal possuímos o que se convencionou chamar de instinto predador, e que se manifesta em maior ou menor grau em todos dependendo das situações a que somos submetidos ou em alguns de nós se manifesta independente de fatores externos, sendo praticamente traço componente de nossa personalidade do qual não temos até o momento como nos livrar, embora nossas mentes cientificas tentem buscar respostas e soluções para evitar que cometamos atos incompatíveis com a convivência social desejável dentro de nossas comunidades.
Assim, temos que aqueles que possuem um grau menor de instinto predador, ou que o mantém sob controle através da educação obtida no seio familiar ou então por temer as consequências estabelecidas pelas regras de convivência social em nossas sociedades (Leis), ou que atingiu um estágio de respeito e compreensão por outrem que outra personalidade ainda não conseguiu por sí só, ficam perplexos diante de atitudes bárbaras, cometidas por aqueles de nós que não souberam conter seu lado negativo.
É fato inegável e faz parte de nossa cultura explorar este lado mórbido dos acontecimentos violentos, basta ver a curiosidade natural das pessoas sobre fatos simples como uma colisão de veículos, por exemplo, e num mundo onde a informação viaja em alta velocidade, e com instantaneidade como o atual, atos criminosos como este envolvendo no caso uma criança - se é que se constate de fato crime através das investigações - geram revolta, indignação e tristeza em muitos de nós em maior ou menor grau, de acordo com a sensibilidade de cada um.
Assim temos que a imprensa sabedora deste fenômeno normalmente entra de sola no assunto, pois para ela tal fato é um gerador de negócio e renda, e como bem sabemos, quanto mais se fala e publica sobre o caso, mais interesse ele gera no público até que se atinja o que poderíamos chamar de saturação da informação, ou seja o publico cansou e aí então a mídia perderá também o interesse, já que passa a não dar mais a renda esperada, ou seja os custos passam a ser maiores que os benefícios.
A maneira doentia da mídia nacional gerir e alimentar os fatos neste e em outros episódios ocorridos em nossa sociedade, tem demonstrado influir de forma negativa em sua correta apuração pelas autoridades constituídas com a tranquilidade, eficiência e honestidade que a situação exige a fim de não se destruírem reputações, pessoas, famílias ou grupos de pessoas que podem na verdade nada ter a ver com o fato, independentemente diga-se de passagem de sua condição social, e que irão carregar o fardo causado pelas pressões a que foram submetidos no momento atual, talvez por toda a vida, sendo ou não culpados, o que no primeiro caso é inaceitável e injustificável.
Assim sendo, sem dúvida é dever da imprensa informar a sociedade, mas como podemos ver em alguns casos ela excede suas fronteiras a partir do momento em que passa a externar opiniões, e até mesmo a pressionar autoridades para que emitam opiniões ou a dirigir entrevistas e depoimentos de envolvidos com o intuito de vender seu peixe, chegando mesmo a termo de influenciar até decisões de pessoas encarregadas da apuração legal dos fatos tanto na Polícia como no Judiciário, o que é no mínimo inaceitável. Assim como podemos analisar pelo comportamento da nossa imprensa neste caso, sua influência a meu entender é negativa a partir do momento que em vez de se ater aos fatos passa a agir como agente fomentador de especulações de toda ordem sobre o evento objeto da reportagem, aqui no caso a morte da menina Isabella Nardoni, com a finalidade única de criar uma audiência para sí.
Creio que nossa imprensa precisa de um choque ético, e de uma maneira mais adequada para lidar com os fatos que irá cobrir dentro de nossa sociedade, já que seu comportamento atual não demonstra muito escrúpulo e diria até respeito pela sociedade e por seus iguais, da qual também é parte integrante.
Certamente este não é o melhor jornalismo que merecemos e que podem nos dar, ta faltando ética e responsabilidade no trato com a notícia, e fatos passados e futuros têm demonstrando isso de forma patente e incontestável, só os profissionais e dirigentes da área ainda não conseguiram enxergar, ou talvez não lhes interesse um compromisso mais sério para com seu próprio povo, o que creio seria até temerário de sua parte, já que estariam subestimando a inteligência de seus ouvintes e leitores. Talvez isto se deva a inexistência de uma Lei que defina de forma clara e inequivoca as responsabilidades dos veículos de informação para com o conjunto de nossa sociedade e de seus indivíduos.