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Tecnopolítica e Democracia Virtual

Quase consigo ter uma visão futurista... Em meio a uma disputada campanha política os cidadãos da neodemocracia acompanharão pela mídia e internet os últimos momentos da campanha dos candidatos virtuais criados pelo cibercérebro e, após assistirem ao último debate montado na TV, votarão diretamente, via net, acompanhando no cantinho do monitor a contagem automática e constante da votação... emocionados todos por participarem de mais um momento cívico do jogo virtual: a tecnodemocracia!
As vezes me sinto um tanto quanto jurássico em inícios do século XXI mas tenho a clara impressão de que, quanto mais a política aproxima-se e utiliza-se dos modernos meios tecnológicos mais alegórica se torna. Há quem veja como avanço para o jogo democrático a transposição das campanhas políticas para as telas e microfones, e agora, monitores e ecrans, discordo. A difusão pelos meios de massa ou pela net das discussões políticas podem provocar ganhos quantitativos. Sem dúvida esses veículos chegam a um número considerável de cidadãos porém... a forma... Quem realmente se sente informado ou esclarecido por campanhas eleitorais que mais parecem produto publicitário, intervalo comercial? Quem consegue acompanhar debates televisivos onde os candidatos ficam encaixotados por regras que evitam ao máximo a real confrontação de idéias e transformam os candidatos em bonecos de ventriloquo? Quem participa desses debates é o candidato ou o marqueteiro que produziu sua atuação! Aliás, nessas aparições midiáticas o candidato faz política ou representa o papel de um político? O que seriam campanhas políticas via net? Apenas o coroamento daquilo que já está tornando-se completamente virtual. Muitas propostas, muitos links, muitos blogs, muitos banners, muitos sites... um show de tecnologia. Acessaremos um link dentre as propostas do candidato e logo se materializará uma representação virtual, em gráficos realísticos, do futuro sonhado. A tecnologia em nada acrescentou ao jogo político. A tecnologia embalou a política em papel plástico, esterelizou o discurso, afastou o candidato do real e criou ilusões performáticas. A política midiática pertence aos marqueteiros, coreógrafos, maquiadores e agora, blogueiros. O futuro da política pertencerá aos ciberdesigners, porém... Como aqui, no terceiro mundo (lembram?) a realidade teima em se fazer presente, o acesso a meios como a net ainda está diretamente ligado a padrões culturais e socio-econômicos, pelo menos a curto prazo, cibercandidatos somente serão eleitos pela zona sul, mas... digamos... oferecendo-se "inclusão digital" em espaços públicos, onde o cidadão de pouca instrução formal possa navegar guiado pelo sistema e assistir a um jogo de luzes e cores e letras garrafais piscando nomes e propostas.. aí sim, alcançaremos a tão almejada democracia virtual.. daí para frente... para que candidatos reais, não é mesmo? Basta uma boa tecnologia de simulação, um jogo... joguinhos com a simulação de uma campanha de rua, com comícios e tudo, que tal em? A simulação da votação em plenário de um importante projeto do executivo, com as galerias lotadas de povo!!! Um jogo fantástico onde os candidatos debateriam abertamente em diversos espaços de representação social, frente a frente, questionados diretamente pelos eleitores!!! Tudo isso, em casa, comodamente, bastando apenas a instalação do último soft de política virtual!!! Quac! A Democracia Virtual!
Estou farto de sombras na caverna!

Resumo: 

Quanto mais a política aproxím