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O Coliseu Moderno

Hoje, todos conseguimos perceber que os meios de comunicação de massa tendem a acompanhar os fatos reais como fossem capítulos de uma novela - seja uma campanha eleitoral ou um sequestro passional. De uma forma geral, a mídia transforma o real em novela e nos apresenta os fatos como um "gentil oferecimento de nossos patrocinadores". Não somo vistos como cidadãos, seres racionais, mas como consumidores de "pacotes de informação" e a realidade nos é oferecida em embalagens chamativas.
Particularmente nos casos mais dramáticos e violentos, passa a valer a lógica dos pastiches, no intuito de fazer com que o consumidor fique preso ao desenrolar dos acontecimentos. Fragmenta-se a realidade num monte de imagens, entrevistas, opiniões, pesquisas, editoriais que acabam mais confundindo que esclarecendo mas que cumprem o objetivo de manter o assunto na ordem do dia: Quem matou? Quem é o culpado maior? Quem errou? Quem foi herói ou bandido? Assistam aos próximos capítulos... As pessoas reais envolvidas no episódio viram sombras, protagonistas de uma tragédia oferecida a sociedade como mercadoria, produto de consumo.
Também é evidente, nos dias de hoje, que as diversas linguagens dos meios de massa demonstram um certo fascínio pela violência e seus agentes. A TV, o cinema, os jornais, fazem da realidade, pano de fundo, dos cidadãos envolvidos, personagens, da violência, estética, e todos nós, platéia. Há um padrão de produção que apresenta a violência como espetáculo atraente na multiplicação ao infinito da babárie do Coliseu Romano. Cria-se uma estética da violência! Essa repetição e consequente banalização da violência como espetáculo, anestesia o consumidor e lhe apresenta um padrão de comportamento que, por vezes, é romantizado - quem não viu aquele filme, série, reportagem em que o bandido "se deu bem"?
Não duvido de que essas pessoas que num repente tornam-se agentes radicais de violência não tenham em mente, até de forma subconsciente, a sequência, cena, imagem idealizada de um ato de violência. Até porque, por vezes, esse gesto está sendo transmitido ao vivo, e o próprio agente pode ver-se como personagem televisivo, alvo das atenções, centro do universo!... Finalmente protagonista de sua própria tragédia!
Nesse sentido, a mídia, o moderno Coliseu, não apenas transforma a realidade em novela mas, de certa forma, "roteiriza" nosso cotidiano, nos tornando, a todos, personagens de um grande reality show.

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