Turismo sexual: das boas intenções às boas práticas
Embora o turismo seja uma atividade econômica sem dúvida alguma estruturante, fomentadora do desenvolvimento sustentável das nações e da geração de emprego e riquezas, ele também tem produzido impactos negativos nos países mais pobres, como a exploração sexual de crianças e adolescentes. Considerando que mesmo o mais rentável dos investimentos é incompatível com a violação dos direitos das crianças e dos adolescentes, é preciso avançar nessa discussão e conscientizar, na ponta, toda a indústria do turismo em relação ao tema. Mais do que isso: é fundamental estender a teoria das boas intenções à prática, e que toda a cadeia, dos taxistas aos hoteleiros, assuma o compromisso de proteger crianças e adolescentes brasileiros em situação de grave risco social, por meio de programas de responsabilidade social eficientes. É preciso inspirar cada vez mais empresas do setor a adotarem procedimentos para a prevenção da exploração sexual de crianças e adolescentes no turismo, prezando pela sustentabilidade dos destinos brasileiros ( entendida aqui como o resultado financeiro acompanhado de resultados sociais e ambientais para as comunidades e regiões objeto da atividade no País). Há um consenso internacional de que crianças e adolescentes precisam ser mesmo protegidos da exploração sexual no turismo, e é preciso provocar as empresas deste segmento a assumirem uma postura pró-ativa na afirmação dos valores da sustentabilidade. É exatamente disso que precisamos no Brasil: romper o ciclo nefasto da exploração da criança e do adolescente no turismo, partindo de dentro da cadeia turística, com menos discurso e mais ação! Hoje, é preciso dizer, uma significativa parcela do setor turístico brasileiro já vem assumindo o compromisso de comunicar a seus clientes, investidores, fornecedores, colaboradores e sociedade em geral, que possui referenciais éticos que se traduzem na implantação de procedimentos operacionais. Além disso, iniciativas simples, como a utilização da técnica do hóspede oculto, desenvolvimento de materiais educativos e aplicação de sessões de capacitação presencial e virtual dos colaboradores da rede vêm sendo aplicadas com sucesso.Uma rápida retrospectiva histórica mostra que a sociedade brasileira sempre tratou com dubiedade - e uma certa hipocrisia - as questões ligadas ao sexo, levando o turismo sexual, e a exploração infantil nele contida, a uma situação de clandestinidade. O fenômeno foi crescendo de tal forma que hoje alimenta também outras práticas criminosas como o tráfico de drogas, a pedofilia e até a lavagem de dinheiro. Mas não adianta criticar o turismo sexual e apontar os malefícios de conhecimento comum, se não houver uma ação mais ampla de parte do governo e da sociedade que garanta oportunidades às crianças e aos jovens. O turismo sexual, embora não seja uma modalidade formal do turismo, mas apenas um desvio negativo de uma atividade altamente positiva, é sim uma questão social, que precisa ser estudada e compreendida para que possa ser mais eficientemente combatida. Não basta a simples condenação dos aliciadores destas crianças e adolescentes. É preciso entender que só há uma saída verdadeira: melhores condições de vida reais para que as populações menos favorecidas possam desenvolver-se com dignidade e respeito. E que para tanto são necessárias políticas públicas mais eficientes! A ilusão de migrar para um outro país ou região brasileira mais desenvolvidos e, com isso, ascender socialmente, é uma das maiores motivações para o envolvimento de meninas e jovens brasileiras com turistas estrangeiros e nacionais que rodam o país à procura de sexo. Essa conclusão faz parte de muitos estudos sérios desenvolvidos sobre o assunto: em um jogo assimétrico, os desejos se cruzam. Enquanto os homens, estrangeiros ou brasileiros, querem sexo, as meninas buscam uma oportunidade na vida. É preciso destacar que as campanhas e as leis contra esse tipo de prática têm surtido algum resultado, principalmente no que se refere ao combate à exploração infantil, mas estão longe de resolver o problema. A própria idéia de que o turismo sexual está vinculado apenas às nações pobres nem sempre é suficiente para explicar a prática. Como exemplos, pode-se citar Paraguai, Bolívia e Peru, destinos relativamente baratos e países tão ou mais pobres do que o Brasil. Entretanto, nesses locais, o turismo sexual não tem ´vingado´, o que demonstra que, para além dos aspectos econômicos, é necessário prestar séria atenção aos aspectos culturais de cada país e de cada região. Um capítulo especial deve ser devotado aos Websites na luta contra o turismo sexual: as imagens do Brasil que são veiculadas em sites da web destinados a turistas deveriam ser observadas por órgãos do governo e, de alguma forma, atualizadas dentro das melhores práticas.